Maia defende que governo assuma 100% do risco em ajuda a empresas

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou em live com representantes de comércio e serviços na manhã desta quarta-feira (20) que o governo deveria deveria tomar para si todos os riscos de empréstimo às empresas do país.

Na regra atual, o Ministério da Economia repassa às instituições bancárias o benefício e elas determinam quem deve recebê-los. “O dinheiro não está chegando na ponta porque, ao colocar os bancos na história, eles utilizam os filtros que estão acostumados”, comentou Maia.

O presidente da Câmara afirmou que no período de discussão sobre esse benefício mostrou a representantes do governo seu receio de que a burocracia travasse a ajuda. E teria ouvido de volta que se a verba não tivesse um banco envolvido seria mais difícil de ser paga, o que estimularia a inadimplência.

“Eu não concordei, acho que ninguém tem o interesse de ficar sem pagar conta, pelo contrário”, contou.

Maia declarou que não é hora de apontar culpados pelos erros cometidos no combate ao novo coronavírus. Mas disse que muito mais coisas poderiam ser feitas, citando, por exemplo, que as equipes de saúde do país poderiam estar nas comunidades tentando evitar a explosão sem controle da covid-19 e sugeriu testes em massa para que prefeitos e governadores pudessem traçar suas políticas de retomada da economia a partir de dados concretos sobre as pessoas que se recuperaram.

“Mas o melhor para todos nós é que a gente possa deixar nossas divergências pro segundo momento”, completou.

“Temos uma grave pandemia que atinge milhares de brasileiros. E esse número pode virar milhões se nada for feito. Ela afeta a renda das pessoas e a economia como um todo, mas é antes de tudo uma questão de saúde.”

Segundo Maia, o Congresso Nacional deu ao governo “todos os instrumentos necessário para esse enfrentamento da pandemia”, mas nem todos foram utilizados da melhor forma.

Ele mencionou a Medida Provisória 944, que liberou cerca de R$ 36 bilhões em recursos para empresas com faturamento de R$ 360 mil e R$ 10 milhões por ano quitarem suas folhas de pagamento. “Amigos meus, empresários, dizem que esse dinheiro não chega para eles”, comentou. “Então, não adianta porque não está tendo efeito.”

“Já aprovamos muita coisa, e sabemos que temos um papel importante de suprir as necessidades urgentes da população e garantir a capacidade do estado de emitir dívidas e financiar os gastos nessa crise.”

Maia comentou que se dependesse do Congresso Nacional, mais dinheiro seria destinado ao enfrentamento da covid-19. “Mas a equipe economica é muito conservadora”, disse.

Ele lembrou a experiência dos Estados Unidos, país que tem dado dinheiro diretamente para diversas atividades econômicas. “Sei que eles têm uma economia com muito mais credibiidade e capacidade de assumir dívidas, mas acho que mais poderia ser feito.”

Moratória

Na live, o deputado federal do Rio foi cobrado para não permitir a aprovação do projeto 1397, que, segundo o presidente da Abrasce (Associação Brasileira de Shoppings Centers), Glauco Humai, “prevê uma moratória geral e irrestrita a todos os segmentos do Brasil por 60 dias e ainda é prorrogável por mais 60 dias”.

De acordo com Humai, a aprovação da moratória seria trágica para a economia do país.

Maia afirmou, em resposta, que não colocou a proposta em pauta porque “não pode haver um projeto que crie novos problemas”.

O evento, transmitido ao vivo pelo YouTube, foi realizado pela Unecs (União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços

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