Mercado Livre quer se livrar da imagem de ‘site de usados’

Na pandemia, o Mercado Livre ganhou 4 milhões de novos clientes brasileiros e cresceu R$ 90 bilhões na Nasdaq. Mas isso não foi suficiente para corrigir uma insistente percepção sobre a marca: os consumidores ainda enxergam o site como lugar para pessoas físicas venderem produtos usados, admite Fernando Yunes, que assumiu a operação brasileira há dois meses.

— Quando falo que, hoje, apenas 1% das vendas é de usados, até outros empresários se surpreendem. Nos últimos anos, atraímos uma série de marcas para o marketplace, do Carrefour à Unilever. Mas o senso comum não capturou a mudança. Estaríamos crescendo ainda mais se essa transformação fosse percebida — afirma o executivo, que presidia a Sem Parar, de pagamentos de pedágio.

Antes de atacar essa percepção desatualizada por meio do marketing, Yunes quer vencê-la com logística própria. A área vai absorver parte importante dos R$ 4 bilhões em investimento da operação brasileira este ano, incluindo a abertura de dois centros de distribuição (CDs): um na Bahia, a ser inaugurado em até dois meses, e outro no Sul. Hoje, a companhia tem dois CDs, ambos no estado de São Paulo.

— A ideia é entregar, nas outras regiões, serviço análogo ao do Sudeste — conta Yunes, acrescentando que, desde março, a empresa contratou 6.270 funcionários terceirizados só para as operações logísticas no país.

Os CDs funcionam como postos avançados de estoque para as marcas que vendem no site. São, portanto, cruciais para atualizar a imagem de site de usados. De acordo com Yunes, a ideia é não ter gargalos nos CDs, permitindo que todos que vendam pela plataforma tenham produtos armazenados nesses centros.

A principal diferença está no prazo de entrega: o CD reduz o tempo para menos de dois dias, em média. Daquilo que passa pela malha de logística própria da empresa, o volume entregue nesse prazo subiu de 55% para 70% desde o ano passado, segundo Yunes.

Além dos CDs, o Mercado Livre está investindo em alternativas aos Correios, cujas fragilidades foram exacerbadas pela pandemia.

— No momento em que cresce a demanda, é difícil manter a qualidade. Então, aumentamos o número de transportadores, criando uma logística quase que própria. Abordamos até empresas aéreas, para usarmos aviões de passageiro com assentos livres para transportar os produtos — diz o executivo, que aposta que o coronavírus, assim como o Sars na China em 2003, terá impacto de longo prazo sobre o e-commerce.

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