Bar LGBTQIA+ é embargado por som alto e dono alega discriminação, em Goiânia

Na última sexta-feira (8), a Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) embargou o Mocó Bar, localizado no Setor Sul, em Goiânia, sob alegação de perturbação do sossego. Os proprietários do local afirmam que foram alvos de discriminação, já que se trata de um estabelecimento frequentado por membros da comunidade LGBTQIA+ e, principalmente, porque o volume do som do bar não é alto suficiente para causar denúncias. “Sabemos, por exemplo, que bares sertanejos não sofrem com esse tipo de avalanche de denúncias”, afirma um dos donos.

O comunicado, segundo os proprietários do bar, chegou após às 17 horas, o que impediu qualquer tentativa de reverter ou protelar a situação. Sendo assim, o estabelecimento ficou fechado durante o último final de semana. O prejuízo estimado do final de semana foi de aproximadamente R$ 50 mil.

Um dos proprietários, Dionatan Barroso, diz que as perseguições são frequentes e que uma parte da vizinhança não aprova o bar desde que foi aberto, há mais de 1 ano e meio, justamente por ser frequentado por pessoas LGBTQIA+.

Segundo Dionatan, o bar não possui um documento chamado ‘licença de som’ e que mesmo diante de várias tentativas junto à prefeitura, não conseguiram por burocracia. Agora, depois do embargo, serão obrigados a fazer uma reforma estimada em pelo menos R$ 15 mil.

Com a reforma, passará a ser permitido, inclusive, música ao vivo, que hoje não existe no local. Porém, para a reabertura, programada para esta terça-feira (12), não poderá contar sequer com som ambiente.

“Sofremos perseguições dos vizinhos do Setor Sul desde que abrimos o bar. Esse tipo de empreendimento não é bem-vindo naquele lugar, que esse tipo de cliente não condiz com aquele lugar. Essas coisas eram ditas abertamente à gente ao vivo para não gerar nenhum tipo de provas. Tentaram muitas vezes nos barrar com reclamações de barulho, mas toda vez que a Amma chegava aqui o som estava dentro do limite permitido”, explicou.

Local não funcionou durante o final de semana, o que causou um prejuízo estimado em R$ 50 mil (Foto: Reprodução – Redes Sociais)

O proprietário também defende que quem frequenta o bar sabe que o som é sempre muito baixo e que os clientes “não são de bagunça”. Em um vídeo, publicado nas redes sociais do estabelecimento, ele explicou o que houve para os clientes e pediu ajuda para voltar a funcionar. No total, foram mais de 30 mil visualizações e mais de 400 comentários apoiando os empresários.

“O problema não é o barulho. O problema é o bar. São as pessoas que frequentam o bar. Os donos do bar, nós gays, lésbicas, a comunidade LGBTQIA+, todas as famílias que aceitam essa comunidade. O bar foi criado para ser um lugar que abriga todo mundo. Nós temos um corpo de funcionários diverso. Isso não acontece só com a gente. Isso já aconteceu com vários outros bares e vai acontecer cada vez mais”.

Distância das residências

O Mocó possui dois vizinhos diretos e, segundo os donos do local, há acústica feita de forma apropriada.

“Para registrar a denúncia por perturbação de sossego, a pessoa precisa morar perto. Não entendemos como moradores que estão distantes afirmam que não conseguem dormir pelo barulho do local. Temos muito apoio no bairro, mas existe uma parcela que eu chamei, grosseiramente, de ricos escrotos que querem manter esse padrão de vida como se morassem em um condomínio morando no centro da cidade e que querem acabar (e falam abertamente) com todos os bares e boates do Setor Sul porque isso não condiz com o que eles chamam de residencial. Pela lei municipal, aqui é um bairro misto”, finaliza.

Apoio

Depois do embargo, os donos do bar afirmam ter recebido também muito apoio de moradores da região, de pessoas que frequentam o local e do vereador Marlon do Santos (Cidadania), que auxiliou na documentação para tentar a reabertura.

“O presidente da Amma também nos recebeu de forma muito solícita. Sabemos que o problema não é do poder público, que recebe denúncia e tem obrigação de fiscalizar”. afirma Dionatan.

O que diz a Amma?

Em nota, a Amma disse ao Mais Goiás que trata apenas das questões ambientais e que o embargo deu-se pela reincidência de denúncias de poluição sonora e por não realizarem a devida adequação acústica necessária, de manter 50 decibeis permitidos durante a noite.

“Antes do embargo, uma das medidas para que a poluição sonora seja cessada, o local já tinha recebido diversas vistorias da Agência, bem como notificações e autos de infração, inclusive por falta de licença ambiental. Na segunda-feira (12), Amma recebeu representantes dos moradores da região, bem como do Mocó, para esclarecimento de dúvidas de ambas as partes, e para que a situação fosse regulada. Reforçamos que tratamos apenas de questões ambientais, e para que a lei seja cumprida”

*Essa reportagem usou uma entrevista que foi concedida ao OPopular

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