Sol pode ter “fugido” do centro da Via Láctea
Pesquisas indicam que o Sol pode ter migrado do centro para as bordas da Via Láctea acompanhado por “irmãs” gêmeas
Dois estudos complementares sugerem que o Sol pode não ter nascido exatamente onde está hoje na Via Láctea. Segundo os pesquisadores, ele provavelmente se formou mais perto do centro da galáxia e, ao longo de bilhões de anos, acabou migrando para regiões mais externas.
As conclusões foram baseadas na análise de estrelas conhecidas como “gêmeas solares”. Elas possuem características muito semelhantes às do Sol, como idade, temperatura, composição química e gravidade na superfície. Por isso, funcionam como uma espécie de pista para entender a história da nossa estrela.
Em resumo:
- Estudos sugerem que o Sol nasceu mais perto do centro galáctico;
- Análise baseia-se em estrelas chamadas gêmeas solares;
- Dados vieram do telescópio espacial europeu aposentado Gaia;
- Pesquisadores identificaram mais de 6,5 mil gêmeas solares;
- Trajetórias indicam migração gradual para regiões externas galácticas;
- Deslocamento pode ter favorecido ambiente estável para vida na Terra.

Número de “gêmeas solares” cresce 30 vezes
Os cientistas utilizaram dados do telescópio espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), que operou entre 2014 e 2025. Durante esse período, o observatório mapeou com grande precisão os movimentos e propriedades de milhões de estrelas na Via Láctea.
A partir dessas informações, a equipe identificou 6.594 gêmeas solares. Esse número é cerca de 30 vezes maior do que o encontrado em levantamentos anteriores. O grande conjunto de dados permitiu analisar com mais detalhe como estrelas parecidas com a nossa se movimentam pela galáxia.
Curiosamente, muitas dessas estrelas foram encontradas relativamente perto do Sistema Solar. No entanto, ao reconstruir suas trajetórias, os cientistas perceberam um padrão importante: várias delas parecem ter migrado gradualmente para regiões mais externas da galáxia ao longo de bilhões de anos.

Estrelas gêmeas solares têm propriedades muito parecidas com as do Sol, como idade, temperatura, composição química e gravidade superficial. Crédito: Aphelleon / Shutterstock.com
Sol teria nascido mais perto do centro galáctico
Esse movimento coletivo indica que o próprio Sol pode ter passado por algo semelhante. Em outras palavras, nossa estrela talvez tenha nascido mais perto do centro da Via Láctea e depois se deslocado até a posição atual.
Publicados na revista científica Astronomy & Astrophysics, os dois estudos (este e este) sugerem que essa migração pode estar ligada à formação da chamada barra galáctica. Essa estrutura alongada de estrelas e gás atravessa a região central da galáxia e influencia a dinâmica de muitos astros.
Segundo os pesquisadores, quando essa barra começou a se formar, ela pode ter desencadeado uma intensa formação de estrelas e também provocado uma redistribuição em larga escala. Nesse processo, o Sol e vários de seus “gêmeos” teriam migrado para áreas mais externas da galáxia.
Os cientistas estimam que a barra central da Via Láctea tenha surgido entre 4 e 6 bilhões de anos atrás. Como o Sol tem cerca de 4,5 bilhões de anos, ele pode ter participado diretamente desse período de mudanças na galáxia.
Essa possível migração também tem implicações para a vida na Terra. O centro da galáxia é uma região mais densa e sujeita a eventos violentos, como explosões de supernovas. Ao se deslocar para uma área mais tranquila, o Sistema Solar pode ter passado grande parte de sua história em um ambiente mais estável – o que teria favorecido o surgimento da vida.
































































































































































































































