Trump e Netanyahu intensificam ataques ao Irã enquanto aliados clamam por paz
Eduardo Sartorato
Especial para o NTH Mundo
A guerra ampla e duradoura na região vai contra a vontade de países alinhados aos Estados Unidos no Oriente Médio, que agora pressiona pelo fim dos bombardeios junto ao presidente americano.
Diferentemente do último ataque de Israel ao Irã, em junho de 2025, no contexto da guerra em Gaza, os bombardeios de Estados Unidos e israelenses ao país persa neste sábado (28/2) já eram mais do que esperados. A novidade dessa nova investida está no contra-ataque do governo iraniano, que não hesitou em lançar ataques às bases americanas em vários países vizinhos, como Emirados Árabes, Catar, Bahrein e Jordânia. Tal ação abre uma possibilidade sombria de uma guerra generalizada no Oriente Médio, mas também pressiona o presidente americano Donald Trump, uma vez que esses países são maioritariamente aliados dos Estados Unidos.
Pressão sobre Trump
O grupo de nações alinhadas aos americanos no Oriente Médio, encabeçado pela Arábia Saudita, é contra uma ação mais agressiva de Trump em relação ao Irã. Eles temem, de forma bastante sensata, que tal ação possa desestabilizar ainda mais a região. Contudo, ao que parece, o presidente americano ordenou o ataque como uma forma de pressão ao governo iraniano para que aceite os termos de um acordo nuclear/militar que está sendo negociado entre os dois países.
A estratégia iraniana de não poupar as bases americanas em países vizinhos vai pressionar Trump a evitar a intensificação desses ataques. Bombardeios generalizados certamente estagnariam a economia local, principalmente a exportação de petróleo e o turismo, que são as principais fontes de renda da maioria dos vizinhos iranianos. Essa situação gera uma pressão considerável sobre Trump, que detém o poder de pôr fim ao conflito armado iniciado neste sábado.
Demandas e Geopolítica
Vale lembrar que Trump não quer apenas que o Irã desista de seu programa nuclear – algo que o governo persa estaria disposto a considerar, desde que os Estados Unidos desistam das sanções econômicas contra o país. Porém, Trump exige que os líderes iranianos se comprometam a não produzir mais mísseis balísticos. Essa última demanda é compreensivelmente inaceitável para o Irã, já que os mísseis são sua principal forma de defesa contra inimigos na região, especialmente Israel, que possui uma tecnologia bélica muito superior e armas nucleares não declaradas.
Enquanto isso, toda estrutura de direito e leis internacionais, criada majoritariamente após a Segunda Guerra Mundial, vem sendo desmantelada por ações unilaterais de potências militares, especialmente pelos Estados Unidos durante o segundo governo de Trump. O presidente americano bombardeou instalações nucleares no Irã no ano passado, atacou navios venezuelanos com alegações infundadas de tráfico de drogas e invadiu a Venezuela para capturar, ou sequestrar, o ex-presidente Nicolás Maduro. Na lista também estão as ameaças contra Canadá, Cuba e Groenlândia.
Um panorama sombrio
A invasão da Rússia à Ucrânia em 2022 e a subsequente guerra, que perdura até hoje, também deve ser considerada um episódio violento contra a ordem internacional. Assim como o massacre, com evidências cada vez mais concretas de genocídio, cometido pelo governo de Netanyahu em Gaza.
A falta de diálogo e controle sobre esses ataques unilaterais, que visam principalmente o interesse da própria nação, provoca grande temor sobre o que ainda está por vir. O medo se intensifica quando não se visualiza no horizonte algo que possa ser feito para a retomada da governança global, priorizando o diálogo e a diplomacia.
Eduardo Sartorato é jornalista e mestre em Relações Internacionais pelas Universidades de Viena e Wroclaw.



































































































































