{"id":4183,"date":"2026-03-08T00:17:04","date_gmt":"2026-03-08T00:17:04","guid":{"rendered":"https:\/\/foconews.com.br\/?p=4183"},"modified":"2026-03-08T00:17:05","modified_gmt":"2026-03-08T00:17:05","slug":"carrinho-high-low-o-consumidor-economiza-no-basico-para-ostentar-na-indulgencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/foconews.com.br\/?p=4183","title":{"rendered":"Carrinho high-low: o consumidor economiza no b\u00e1sico para ostentar na indulg\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dados da Worldpanel revelam queda na lealdade \u00e0s marcas e a ascens\u00e3o da &#8216;premiumiza\u00e7\u00e3o acess\u00edvel&#8217; entre consumidores da Am\u00e9rica Latina<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com uma nova pir\u00e2mide de prioridades, o carrinho de compras do consumidor latino-americano em 2026 conta uma hist\u00f3ria de contrastes. De um lado, uma busca rigorosa pelo menor pre\u00e7o no detergente e no arroz &#8211; e do outro, a insist\u00eancia em manter marcas premium de caf\u00e9 e chocolates, mesmo ap\u00f3s altas que superaram os 40% no \u00faltimo ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse fen\u00f4meno, detalhado por Marcela Botana, diretora de desenvolvimento de mercado da Worldpanel by Numerator, revela uma mudan\u00e7a de comportamento: o consumidor n\u00e3o est\u00e1 apenas cortando gastos, mas &#8220;remanejando a felicidade&#8221;. Nesse cen\u00e1rio, os segmentos ligados a bem-estar, funcionalidade e indulg\u00eancia podem ser considerados as novas estrelas do carrinho de compras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do Consumer Insights Latam, da Worldpanel by Numerator, a l\u00f3gica do consumidor est\u00e1 em economizar no que \u00e9 funcional para ostentar no que \u00e9 emocional. Embora os itens b\u00e1sicos ainda dominem o share de consumo, o que tem sido cada vez mais valorizado s\u00e3o op\u00e7\u00f5es premium que lideram quando o assunto \u00e9 valoriza\u00e7\u00e3o de portf\u00f3lio, enquanto categorias b\u00e1sicas enfrentam maior press\u00e3o de troca por op\u00e7\u00f5es mais econ\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o material, o mercado total de bens de consumo massivo (FMCG) cresce timidamente em torno de 1%, enquanto categorias ligadas ao prazer imediato ignoram a crise. Em L\u00e1cteos Indulgentes, o crescimento \u00e9 de 4% em unidades; j\u00e1 em Bebidas Indulgentes, o avan\u00e7o chega a 9%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que explica essa realidade, mesmo diante da infla\u00e7\u00e3o, segundo Marcela, \u00e9 o fato de que, em vez de migrar para marcas mais baratas nessas categorias, o consumidor prefere comprar menos, mas manter a qualidade superior. \u00c9 a l\u00f3gica do &#8220;menos \u00e9 mais&#8221;, em que, se o consumo ser\u00e1 reduzido, que seja por algo de maior valor agregado. Ao mesmo tempo, h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o da lealdade: o consumidor busca a melhor equa\u00e7\u00e3o entre pre\u00e7o e benef\u00edcio, ampliando seu mix de marcas e segmentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marcela aponta tamb\u00e9m que a crise global do cacau testou a criatividade do comprador. Com o pre\u00e7o dos tabletes e bombons em alta, o volume de vendas de chocolate caiu 5% no Brasil. A sa\u00edda foi a &#8220;premiumiza\u00e7\u00e3o&#8221; de categorias acess\u00edveis. Ela destaca o crescimento dos biscoitos cobertos ou recheados com chocolate (como as linhas chocobiscuit) &#8211; uma solu\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria que permite que o consumidor sacie o desejo por doce sem o custo de uma barra de chocolate puro. Em pa\u00edses como Equador e Peru, esse segmento j\u00e1 responde por 40% do crescimento da categoria de biscoitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma compara\u00e7\u00e3o, o estudo mostra que essa nova l\u00f3gica de consumo pode ser organizada em quatro grandes blocos: essenciais, que concentram 32% do gasto do consumidor e crescem 4% ao ano; momentos de indulg\u00eancia, com 29% do gasto e alta de 10%;&nbsp;<em>self care e wellness<\/em>, respons\u00e1veis por 19% do gasto e avan\u00e7o de 15%; e&nbsp;<em>extended family<\/em>&nbsp;(pets), com 3% do gasto e crescimento de 6%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fidelidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo tamb\u00e9m revela que nem todas as categorias t\u00eam o mesmo peso emocional e simb\u00f3lico. Produtos b\u00e1sicos de alimenta\u00e7\u00e3o e limpeza s\u00e3o percebidos como mais funcionais e substitu\u00edveis. J\u00e1 itens de beleza, higiene e autocuidado est\u00e3o ligados \u00e0 identidade, autoestima e bem-estar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Marcela, apesar da resist\u00eancia em abandonar o &#8220;luxo acess\u00edvel&#8221;, o consumidor est\u00e1 menos leal. No setor de beleza e bebidas funcionais, a experimenta\u00e7\u00e3o aumentou, mas a fidelidade caiu e o brasileiro est\u00e1 testando novas marcas para encontrar a melhor equa\u00e7\u00e3o entre custo e benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;No final das contas, o novo or\u00e7amento dom\u00e9stico \u00e9 uma engenharia de prioridades: o sacrif\u00edcio no corredor de limpeza \u00e9 o que financia a c\u00e1psula de caf\u00e9 especial ou o batom novo no fim do m\u00eas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um contexto geral, a expectativa para 2026, segundo o estudo, \u00e9 de estabilidade ou crescimento modesto no volume consumido. Ou seja, o consumidor pode at\u00e9 gastar mais em termos nominais, mas j\u00e1 n\u00e3o amplia o carrinho na mesma intensidade que antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Consumidor brasileiro e a cerveja<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra mudan\u00e7a importante no carrinho revelada pela Worldpanel \u00e9 a cerveja perdendo o protagonismo aos finais de semana entre os brasileiros. Os dados mostram que as ocasi\u00f5es anuais de consumo dentro do lar ca\u00edram 19,4% nos \u00faltimos 12 meses at\u00e9 junho de 2025, versus o ano anterior, totalizando 167,7 milh\u00f5es de ocasi\u00f5es anuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O movimento mostra que o consumo aos finais de semana (sexta a domingo) recuou 25,4%, enquanto os dias de semana (segunda a quinta) cresceram 6,2% em participa\u00e7\u00e3o nas ocasi\u00f5es. O n\u00famero de usu\u00e1rios semanais caiu 24,1% e hoje apenas 4,5% desses consumidores bebem cerveja ao menos uma vez por semana \u2014 um sinal claro de perda dos consumidores mais frequentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO setor enfrenta um ajuste que n\u00e3o \u00e9 apenas financeiro, mas de redefini\u00e7\u00e3o do papel da cerveja na rotina. O desafio deixou de ser apenas volume \u2014 passou a ser relev\u00e2ncia. A categoria nasceu social e, quando o consumo se individualiza, o modelo inteiro precisa ser revisto \u2014 da embalagem \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o\u201d, afirma David Fiss, diretor s\u00eanior de novos neg\u00f3cios da Worldpanel by Numerator no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O consumo individual cresceu de 13,6% das ocasi\u00f5es nos 12 meses terminados em junho de 2024 para 22,4% no mesmo intervalo de 2025. A cerveja deixa de ser majoritariamente um momento compartilhado com amigos e passa a ocupar mais espa\u00e7o como experi\u00eancia pessoal. Nos finais de semana, ainda predominam ocasi\u00f5es compartilhadas (77%), mas com queda de 9% versus o ano anterior. Durante a semana, 80% das ocasi\u00f5es s\u00e3o compartilhadas, por\u00e9m tamb\u00e9m com redu\u00e7\u00e3o (7%).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO que vemos \u00e9 uma transi\u00e7\u00e3o silenciosa: a cerveja deixa de ser um h\u00e1bito autom\u00e1tico e passa a ser uma escolha contextual\u201d, analisa Davi<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados da Worldpanel revelam queda na lealdade \u00e0s marcas e a ascens\u00e3o da &#8216;premiumiza\u00e7\u00e3o acess\u00edvel&#8217; entre consumidores da Am\u00e9rica Latina Com uma nova pir\u00e2mide de prioridades, o carrinho de compras do consumidor latino-americano em 2026 conta uma hist\u00f3ria de contrastes. 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