publicado em 03/08/2025
Quase um ano após o acidente com o voo 2283 da Voepass, que deixou 62 mortos em Vinhedo (SP), o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) da Força Aérea Brasileira (FAB) ainda não foi divulgado. O documento, que pode esclarecer as causas da queda do avião, segue em fase de análise, sem data definida para conclusão.
O avião, que decolou de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP), caiu em 9 de agosto de 2024 após perder altitude de forma repentina. O relatório preliminar do Cenipa, divulgado em setembro do ano passado, revelou que a tripulação relatou problemas no sistema antigelo da aeronave, mas não declarou emergência.
Gravações da caixa-preta indicaram que o sistema foi acionado e desligado várias vezes durante o voo. Especialistas e grupos de aviação levantaram a hipótese de que o acúmulo de gelo nas asas possa ter contribuído para a queda, mas o Cenipa ainda não confirmou oficialmente a causa.
Além da apuração técnica da Força Aérea, a Polícia Federal (PF) investiga possíveis responsabilidades criminais, incluindo as condições de trabalho dos pilotos e a manutenção das aeronaves da Voepass. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) cassou em junho o certificado da Passaredo, principal empresa do grupo, citando “falhas graves e persistentes” na operação. A Voepass, em nota, afirmou que “não há ligação entre o acidente e a medida da Anac” e reiterou seu compromisso com a segurança, destacando que colabora com as investigações.
Enquanto as autoridades não concluírem os trabalhos, familiares das vítimas cobram transparência. Muitos se uniram em uma associação para pressionar por respostas e indenizações. O Cenipa informou que a análise envolve uma equipe multidisciplinar e que o relatório final trará “recomendações para melhorar a segurança de voo”. A expectativa é que o documento ajude a evitar tragédias semelhantes no futuro.
O acidente, ocorrido em 9 de agosto de 2024, matou 58 passageiros e quatro tripulantes. O ATR 72-500 despencou cerca de quatro mil metros em menos de um minuto, chocando-se contra um condomínio em Vinhedo. O caso permanece como um dos mais graves da história recente da aviação brasileira.