Publicado em 21/08/2025
Preços da carne, arroz, frango, ovos e combustíveis caem em Goiás com a guerra comercial entre Brasil e Estados Unidos
Quando dois países entram em briga comercial, quem sente primeiro é o consumidor. Com a tarifaço criado pelos EUA, muitos produtos brasileiros ficaram mais caros para a exportação. Com menos exportações, mais alimentos ficaram disponíveis no mercado nacional. Resultado: aumento da oferta e redução dos preços nas feiras e supermercados.
Em julho, Goiânia teve queda no índice IPCA-15, calculado pelo IBGE, que mede a prévia da inflação. Foi a menor do país: −0,05%. O motivo principal foi a queda nos preços dos alimentos e dos combustíveis, consequência do anúncio da mudança tarifária que teve início este mês.
Alguns produtos já podem ser sentidos no bolso do consumidor goianiense:
- Arroz: −3,99%
- Frango em pedaços: −3,35%
- Pão francês: −2,73%
- Ovos: −4,64%
- Gasolina: −1,63%
- Etanol: −4,23%
A carne bovina também ficou mais barata. O preço da arroba caiu de R$ 300 para menos de R$ 260, o que ajudou a reduzir os preços de cortes como acém, patinho e músculo, além disso, frutas como manga e mamão também estão mais baratos. Produtos como café e suco de laranja foram isentos do tarifaço, o que evitou uma crise maior.
Alívio temporário
Mas esse alívio nos preços pode durar pouco. Segundo o economista Luiz Batista Alves, presidente do Conselho Regional de Economia de Goiás (Corecon-GO), “o mercado pode se ajustar em dois ou três meses, com produtores buscando novos compradores ou produzindo menos”.
Ele explica que esse tipo de queda é resultado de um excesso momentâneo de oferta, e que, assim que o mercado se reorganizar, os preços tendem a voltar ao patamar anterior. “Esse movimento é passageiro. Os produtores não vão manter a produção alta se não tiverem para quem vender. Eles vão reduzir a oferta e isso faz o preço subir de novo”, afirma o economista.
PIB e empregos ameaçados
A FIEG calcula que o tarifaço pode tirar até R$ 1,36 bilhão do PIB goiano, somando impactos diretos (R$ 554 milhões) e indiretos (R$ 802 milhões), o que representa 0,36% da economia estadual. Os efeitos mais pesados recaem sobre a indústria, com prejuízo estimado em R$ 860,9 milhões, seguida da agropecuária (R$ 250,1 milhões) e dos serviços (R$ 245,6 milhões), atingindo áreas como transporte, comércio, pecuária de apoio e logística.
Com base em estimativas nacionais, cerca de 23 mil empregos em Goiás podem estar em risco, principalmente em frigoríficos, usinas e logística. As cidades mais atingidas incluem Rio Verde, Itumbiara, Jataí e Anápolis, que concentram polos industriais e agroexportadores altamente dependentes do comércio exterior.
Pacote do governo
O governo estadual anunciou, em julho de 2025, um pacote de R$ 628 milhões em crédito, com taxa de juros de 10% ao ano, para frear demissões, exigindo que as empresas beneficiadas mantenham postos de trabalho. As condições de acesso ao crédito preveem contrapartidas formais de manutenção do emprego, e o público-alvo inclui frigoríficos, usinas, indústrias e cooperativas diretamente impactadas pela restrição às exportações.
A medida foi regulamentada e começou a ser executada a partir de agosto, quando empresas já podem se habilitar ao crédito por meio da Secretaria-Geral do Governo (SGG), priorizando empresas com maior risco de demissões.
Para Luiz Batista Alves, o pacote precisa ser bem direcionado: “O foco deve ser a manutenção dos empregos com apoio à industrialização local e linhas de crédito acessíveis para empresas afetadas.”
O momento pede atenção, segundo o presidente da Corecon-GO. É hora de aproveitar as quedas nos preços com consciência e acompanhar de perto os próximos passos do governo e das empresas. Apesar do alívio, ele será temporário e o momento exige atenção e planejamento.
Goiânia – maisgoiás