Publicado em 29/08/2025
“Essas redes atuam de forma cooperada com redes já identificadas de lavagem de dinheiro para o PCC”
A megaoperação Carbono Oculto, deflagrada na quinta-feira (28) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), com apoio do órgão local (MPGO), identificou o envolvimento de nove postos no esquema em Goiás. A ação cumpriu 200 ordens de busca, apreensão e prisão contra 350 alvos ligados a um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis (por meio de adulteração), controlado pelo PCC, em oito estados brasileiros, entre eles o território goiano.
“Apuramos que, em relação ao grupo investigado, eles possuem, pelo menos, duas redes de combustíveis no Estado de São Paulo – uma rede muito ampla – e outra em Goiás. E essas redes atuam de forma cooperada com redes já identificadas de lavagem de dinheiro para o PCC”, disse o promotor de Justiça do MPSP, João Paulo.
Reportagem da TV Anhanguera ainda revelou a existência de três usinas que estaria envolvidas no esquema: uma fica em Inhumas, outra em Porteirão e há mais uma que deveria funcionar na capital, na Avenida 136, no setor Sul. Contudo, no prédio da capital está uma sala comercial de escritório compartilhado. A informação é da TV Anhanguera.
Conforme as investigações, importadoras traziam Nafta e diesel do exterior com recursos de empresas ligadas aos criminosos. As distribuidoras, então, revendiam com fraudes e sonegavam impostos, além de adulterar os combustíveis com metanol para potencializar os lucros.
Foi apurado, ainda, que os mais de mil postos envolvidos recebiam pagamentos em espécie e máquinas de cartão, e registravam como valores legais. A movimentação estimada, entre 2020 e 2024, foi de R$ 52 bilhões, com baixa arrecadação de impostos. Apenas uma Fintech ligada ao grupo movimentou R$ 46 milhões nos quatro anos.
Ainda sobre a lavagem de dinheiro, os suspeitos investiam em fundos e bens, como caminhões, usinas, bem como imóveis e fazendas, e mais. Durante a megaoperação, a investigação também solicitou bloqueio de R$ 7,6 bilhões na tentativa de recuperar R$ 7,6 bilhões em tributos estaduais. Mais de mil postos participavam da lavagem de dinheiro, conforme a Receita Federal, Ministério Público e Polícia Militar.
Francisco Costa – Goiânia, GO