Publicado em 31/08/2025
Investigação acerca da espuma vista no rio Meia Ponte começou no dia 26 de agosto e incluiu reunião com Saneago
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) identificou que a espuma visível no Rio Meia Ponte, registrada em trechos próximos ao Goiânia 2 e ao Setor Jaó, tem origem na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Hélio Seixo de Brito, operada pela Saneago.
A vistoria foi realizada em 26 de agosto de 2025, após denúncias da população e registros na imprensa local. Durante a fiscalização, técnicos da Semad percorreram quatro pontos do rio, coletaram amostras de água, produziram fotos e vídeos, e mediram parâmetros de qualidade com o uso de uma sonda multiparamétrica.
Os resultados preliminares mostraram a presença de espuma principalmente nos pontos a jusante da ETE. Além disso, os níveis de oxigênio dissolvido (OD) ficaram abaixo do mínimo exigido pela Resolução nº 357/2005 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) em dois pontos: 3,9 mg/L e 3,6 mg/L, quando o valor mínimo aceitável para rios de Classe 3 é 4 mg/L. Nos demais pontos, os valores registrados foram 7,7 mg/L e 5,1 mg/L.
As evidências coletadas incluíram registros fotográficos que mostram a formação intensa de espuma no interior da própria ETE, reforçando a relação entre o lançamento e a alteração observada no rio.
No dia seguinte à vistoria, em 27 de agosto de 2025, o corpo técnico da Semad reuniu-se com a Saneago. Na ocasião, a companhia confirmou que a espuma estava sendo gerada na estação de tratamento e explicou que o fenômeno ocorreu em função da entrada em operação do novo sistema secundário de tratamento de esgoto, implantado em julho de 2025.
Segundo a Saneago, esse sistema utiliza lodo ativado, processo biológico que aumenta a eficiência do tratamento de esgoto de cerca de 50% para até 92%, quando totalmente estabilizado. A espuma, informou a empresa, decorre da ação das bactérias nesse novo reservatório e da presença de substâncias conhecidas como surfactantes (comuns em detergentes e produtos de limpeza). O efeito visual é intensificado pelo turbilhonamento da água no trecho urbano do rio e pela baixa vazão típica do período de estiagem.
A companhia destacou que não há uso de produtos químicos adicionais no processo, sendo a ativação do lodo feita apenas pela injeção de oxigênio, e que a tendência é de redução da espuma à medida que o sistema se estabilizar.
Diante dos fatos, a Semad determinou:
Estudos específicos sobre a concentração de surfactantes lançados no rio, para verificar se estão dentro dos limites estabelecidos pelo Conama;
Análises laboratoriais adicionais das amostras coletadas;
Novas vistorias no Rio Meia Ponte ao longo das próximas semanas para acompanhar a evolução da situação.
“A Semad seguirá acompanhando a situação de perto, com monitoramentos e fiscalizações, garantindo que a operação da ETE esteja em conformidade com os padrões ambientais e assegurando a qualidade da água do Rio Meia Ponte, essencial para a população goiana”, reforçou a equipe técnica responsável.