Publicado em 02/08/2025
Embaixador André Corrêa do Lago, fez um pronunciamento enfático
A realização da COP30 em Belém tem gerado debates acalorados nos bastidores diplomáticos e logísticos. Diante da crescente pressão internacional, o presidente da cúpula, embaixador André Corrêa do Lago, fez um pronunciamento enfático nesta sexta-feira (1º): “A COP30 será em Belém, e não há plano B”. A fala ocorreu durante entrevista coletiva convocada após críticas sobre o custo da hospedagem na capital paraense.
Segundo Corrêa do Lago, o encontro dos chefes de Estado e toda a programação da COP30 acontecerão na cidade, apesar das dificuldades logísticas e de hospedagem. O problema levou, inclusive, à realização de uma reunião de emergência convocada pela UNFCCC, braço climático da ONU, na última terça-feira (29), a cem dias do início da conferência.
“A COP vai ser em Belém e não há nenhum plano B. O encontro de líderes mundiais será mantido ali”, reforçou o presidente da cúpula, em tom categórico.
Diárias em Belém assustam países em desenvolvimento
A principal queixa de mais de 25 países — formalizada em carta enviada à organização da COP30 e ao governo federal — diz respeito às diárias abusivas praticadas em Belém. Delegações relataram que os valores superam muito os limites orçamentários, especialmente para nações africanas e insulares.
“Eles [os países menos desenvolvidos] podem pagar até US$ 70 por diária. Mas os preços praticados estão muito acima disso”, disse o embaixador. “Se continuar assim, eles não poderão vir. Temos que encontrar um caminho.”
Para conter os impactos e garantir a participação de todos os países, o governo federal lançou uma plataforma oficial de hospedagem com diárias limitadas. A ideia é oferecer quartos por até US$ 220 (cerca de R$ 1.225) e reservar parte dos leitos para nações com menor poder aquisitivo.
Governo federal e do Pará tentam driblar crise
Diante da pressão, o governo Lula e a gestão do Pará — atualmente sob comando interino da vice-governadora Hana Ghassan — afirmam estar agindo. Segundo nota oficial, estão sendo utilizados imóveis particulares, escolas, o programa Minha Casa, Minha Vida, navios cruzeiros e até o Airbnb para ampliar a capacidade de leitos em Belém.
Além disso, o governo estadual diz manter diálogo direto com donos de imóveis e hotéis para conter abusos. A expectativa é de que cerca de 50 mil pessoas compareçam à COP30.
Carta cobra soluções urgentes
O documento assinado por diplomatas e negociadores internacionais reconhece o esforço do governo brasileiro, mas destaca que a situação atual compromete a participação plena nas negociações.
“Ter condições de participar significa ser possível viajar para Belém, ficar em acomodações adequadas e acessíveis, e ir ao pavilhão com segurança e pontualidade — inclusive tarde da noite”, diz um trecho.
Os países também demonstram desconforto com a possibilidade de membros de uma mesma delegação precisarem dividir quartos para economizar.
Clima de tensão em meio às mudanças climáticas
O risco de boicote por parte de países em desenvolvimento foi o estopim para que a crise tomasse proporção global. A reunião de emergência da UNFCCC foi apenas a primeira — uma nova rodada deve acontecer em 11 de agosto para avaliar soluções imediatas.
Enquanto isso, o presidente da cúpula da COP30 reforça que o evento segue confirmado em Belém, destacando o simbolismo da capital amazônica diante dos debates climáticos
“A COP em Belém é mais do que um local — é uma mensagem política e ambiental”, finalizou André Corrêa do Lago.