#Destaques #Economia

Ibovespa fecha com a terceira baixa seguida; dólar termina com forte alta

Índices nos EUA terminam negativos, em dia de Treasuries em fortes altas

Dia 19 de maio é o Dia Nacional de Combate à Cefaleia. Veio bem a calhar, especialmente para o investidor na Bolsa brasileira, afinal o Ibovespa fechou com nova baixa ampla, agora de 1,52%, aos 174.278,86 pontos, uma descida de 2.696,96 pontos.

A Bolsa ampliou movimento corretivo, perdeu suporte dos 175 mil pontos e acumulou 23 pregões de correção. É uma baita dor de cabeça para quem estava até outro dia mirando os 200 mil pontos pela primeira vez.

Não foi um dia fácil para o real tampouco. A moeda nacional viu o dólar comercial voltar a subir, depois da forte queda da véspera, agora com mais 0,85%, a R$ 5,041. Os DIs (juros futuros) subiram por toda a curva e tocaram máximas de 12 meses, com os Treasuries nos EUA também acelerando.

Trump volta a ameaçar o Irã

A dor de cabeça é geral e não tem analgésico que dê jeito. Nesses casos, nem o mais prestigiado médico. Donald Trump, presidente dos EUA, que o diga. Esse arrumou uma tremenda dor de cabeça em ano de eleição e agora não acha o remédio certo para fazer passar o tormento.

Diz a sabedoria popular que quando um remédio não faz mal, talvez lhe faça bem, mas quando não faz bem, mal ele só pode fazer. Trump deveria saber disso, porque o único remédio que tem feito uso é o de dobrar a aposta. Hoje, voltou a ameaçar o Irã por um acordo.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que os EUA estão chamando a recente “ameaça” ao país persa de “oportunidade de paz”.

“A América diz que parou temporariamente o ataque ao Irã para dar uma chance à negociação; mas, ao mesmo tempo, fala em estar preparada para um ataque em larga escala a qualquer momento”, escreveu em uma rede social. “Para nós, render-se não tem significado; ou vencemos ou nos tornamos mártires”. Olha a dor de cabeça que Trump arrumou.

Daí, segue a mesma douração de pílula: os EUA podem atacar o Irã novamente e que o Irã quer um acordo. Mas nada anda para frente e o ruído só aumentou, o que fez piorar o quadro do paciente.

Enquanto isso, o barulho aumenta ali perto: o presidente chinês, Xi Jinping, recebeu o presidente russo, Vladimir Putin, na China para consolidar parceria em meio a crises globais. Há potencial para dor de cabeça para todo o Ociedente.

Petróleo em queda, Wall Street também

Com ameaças aqui, promessas acolá, pelo menos o petróleo internacional terminou o dia com quedas – curtas, mas quedas que anestesiaram a tensão. Na contramão, o ouro subiu.

Entre discursos e apostas, as Bolsas Europeias ficaram com leves altas, mas as de Wall Street não tiveram a mesma sorte e caíram até com certa amplitude, pressionadas pelas altas nos Treasuries.

“Os investidores de títulos estão em plena atividade neste momento”, disse à CNBC Will McGough, diretor de investimentos da Prime Capital Financial. “Todos estão atentos à possibilidade de os preços da energia permanecerem altos, o que pode levar a uma inflação um pouco pior”.

Cenário doméstico

No Brasil, quem ficou com a cabeça inchada foi o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que participou de mais uma audiência no Senado Federal, tendo que enfrentar discursos políticos sobre o caso Master e falar também sobre política monetária. Para ele, Selic está restritiva, mas economia segue resiliente e o IPCA, pressionado.

Nenhuma novidade saiu das quase seis horas de audiência. E nenhuma novidade em relação ao Brasil saiu do em relatório semestral sobre perspectivas para economia global da ONU. Para 2027, a projeção é de uma expansão de 2,3% do PIB nacional. As estimativas não foram revisadas em relação ao relatório anterior, divulgado em janeiro.

Ibovespa: apenas 4 ativos sobem

Para evitar maiores crises de enxaqueca, o investidor adotou uma postura de cautela e saiu vendendo. Apenas quatro ativos terminaram a sessão do Ibovespa no positivo.

Com crânio latejando de dor, viu-se Vale (VALE3) cair 0,99%, fazendo o mês de maio ficar agora negativo no acumulado, com 0,20%. Um dos fatores foi o minério de ferro em queda do outro lado do mundo.

Observou-se também, de preferência à meia-luz, para não arder os olhos, Petrobras (PETR4) ficar com menos 0,75%, em sintonia com os preços internacionais do petróleo.

Os bancos também caíram: BB (BBAS3) perdeu 0,93%, Bradesco (BBDC4) desceu 1,53%; Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 2,12% e Santander (SANB11) desvalorizou 0,37%.

A B3 (B3SA3) perdeu 4,96%, após troca no comando. O conselho de ⁠administração elegeu Christian Egan ‌como novo diretor-presidente, em substituição a Gilson Finkelsztain, que anunciou em março a sua saída para assumir a presidência-executiva do Santander.

Natura (NATU3) quase subiu, mas ficou com menos 0,10%. A dor de cabeça continua, segundo analistas, que mantiveram recomendação de venda do ativo: “não há conserto rápido”.

Foi Usiminas (USIM5) a que mais avançou entre as quatro que subiram: mais 1,11%. PRIO (PRIO3) ganhou 0,73%, TIM (TIMS3) andou 0,63% e Smartfit (SMFT) valorizou 0,11%. Ambev (ABEV3) não ganhou, mas não perdeu: ficou no zero a zero.

Esta quarta-feira tem na agenda a ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve, a última sob comando de Jerome Powell. Não será ainda o remédio para aliviar as dores de um mercado que só tem tomado pancada na cabeça. Ninguém sabe ao certo se há um remédio certo para isso, qual a dose e quando ele chega. (Fernando Augusto Lopes)

 Felipe Alves,Fernando Lopes

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *