Patrocínio máster vive crise no Brasileirão. E aprendeu pouco com retração anterior
Mesmo sendo uma vitrine valiosa para as marcas e um espaço importante de arrecadação para os clubes, mercado mostra que ciclos de expansão e retração exigem estratégias mais consistentes de marketing no futebol e preocupação maior em promover boas entregas para as marcas
Em 2018, o Campeonato Brasileiro começou com um dado que chamava atenção para quem atua na indústria do futebol: seis clubes da Série A estavam sem patrocinador máster. Corinthians, Botafogo, Santos, Atlético-PR, Fluminense e Vasco entraram em campo com a camisa limpa em sua principal propriedade comercial.
O vazio não era apenas estético, mas revelava um momento de transição no mercado. Marcas tradicionais — do setor bancário, de telefonia e do varejo — haviam reduzido ou encerrado seus investimentos no futebol. Sem esses apoios, os clubes demoraram para encontrar substitutos capazes de sustentar o espaço mais valioso do uniforme.
A era das bets
A virada veio a partir de 2019, quando as casas de apostas passaram a ocupar esses espaços de forma massiva. O movimento ganhou força ano após ano, mesmo com o mercado ainda sem regulamentação no país.
O ápice foi atingido no ano passado, na primeira temporada após a regulação promovida pelo governo federal: todos os 20 clubes da Série A tinham contratos com o setor. Em 19 deles, o patrocínio máster era de uma bet.
A exceção, que só confirmava a regra, foi o Red Bull Bragantino, que estampava sua marca de energético, proprietária do time do interior paulista.
Até mesmo o Mirassol considerava a 7K como seu máster, apesar de o espaço principal estar ocupado pelo Guaraná Poty, dono de um contrato anterior. Mas a casa de apostas é quem aportava o maior valor à equipe do interior paulista, sensação daquele ano.
Retração
Um ano após a regulação, o mercado se reacomodou a partir de uma nova realidade. Em 2026, as principais marcas se consolidaram no mercado brasileiro, inclusive aumentando investimentos para valores astronômicos, como os R$ 265 milhões desembolsados pela Betano com o Flamengo. Como comparação, o valor é 972% superior ao que o próprio clube recebia da Caixa em 2018.
No mesmo período, a inflação acumulada foi de cerca de 45% segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Várias outras, porém, reduziram os investimentos em marketing esportivo. Houve até quem desaparecesse do mercado.
O Bahia perdeu a Viva Sorte Bet, que havia firmado o maior contrato máster da história do clube, mas rescindiu por insatisfação com o retorno. Grêmio e Internacional romperam com a Alfa por inadimplência. Athletico, Coritiba e Vasco também ficaram sem parceiros.
Impacto financeiro
As causas são diferentes, mas o cenário é semelhante a 2018. Há oito anos, a ausência de patrocinadores refletia a saída de marcas tradicionais e a dificuldade de reposição em um cenário econômico de transformação.
Em 2026, o problema está ligado à reorganização de um mercado inflacionado pelas bets, que pode não ter estourado uma bolha (ainda), mas reduziu significativamente aportes após a consolidação do mercado de apostas no país.
Razões diferentes, desafios semelhantes: é preciso fazer a lição de casa de diversificar receitas e reduzir a dependência do máster. Alguns clubes foram capazes de se mexer nesse sentido. Outros não e, por isso, enfrentam dificuldades financeiras nesse início de temporada nacional.
O patrocínio máster continua sendo uma vitrine valiosa para as marcas e um espaço importante de arrecadação para os clubes. Mas o mercado mostra que ciclos de expansão e retração exigem estratégias mais consistentes de marketing no futebol e preocupação maior em promover boas entregas para as marcas.
IMAGEM: Freepik

























































































































































































































































































































