Impacto do fim da 6×1 chegará nas prateleiras dos mercados, diz Apas
Erlon Ortega, presidente da Apas, alerta para aumento de custos de 9% a 10% e escassez de mão de obra caso a PEC seja aprovada
O eventual fim da escala de trabalho 6×1 pode gerar impactos diretos nos preços dos produtos nas prateleiras dos supermercados. É o que afirmou Erlon Ortega, da Apas (Associação Paulista de Supermercados), em entrevista ao Agora CNN deste sábado (13).
Segundo ele, o setor já enfrenta uma escassez significativa de mão de obra e teme que a mudança agrave ainda mais esse cenário.
Déficit de vagas e aumento de custos
Ortega destacou que, somente no estado de São Paulo, o setor supermercadista já registra um déficit de 35 mil vagas. “Um projeto que a gente tira 10% da nossa força de trabalho nos obriga a contratar cerca de 10% a mais”, afirmou.
Para ele, isso gera dois problemas centrais: o aumento do custo operacional e a dificuldade de encontrar trabalhadores disponíveis para preencher as novas vagas necessárias.
Em relação ao impacto nos preços ao consumidor final, Ortega foi direto: “Nós calculamos o impacto em torno de 9% a 10%”. Ele ressaltou que os efeitos não se limitariam ao setor de supermercados, alcançando também condomínios, hospitais, bares, restaurantes e a agricultura. “O impacto é matemático e chegará na prateleira”, declarou.
Alternativa da escala 5×2 é vista com bons olhos
Questionado sobre a possibilidade de adoção da escala 5×2 com manutenção das 44 horas semanais — alternativa mencionada anteriormente por João Galassi, da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) —, Ortega afirmou que diversas lojas no estado de São Paulo já operam nesse modelo com resultados positivos.
“O colaborador tem duas folgas por semana, mas ele trabalha as 44 horas. E isso não implica num aumento de custo muito elevado”, explicou.
No entanto, Ortega alertou que pequenos e médios supermercados — que representam a grande maioria das 27 mil lojas no estado de São Paulo — teriam muita dificuldade de se adaptar caso as horas de trabalho sejam reduzidas sem alternativas flexíveis.
Ele defendeu o Projeto de Lei nº 12, em discussão no Senado, que permitiria maior liberdade na definição das jornadas de trabalho. “Nós precisamos que isso passe, nós não podemos mais ter esse engessamento”, afirmou.
Apelo por debate equilibrado
Ortega também elogiou a postura do Senado em conduzir a discussão com mais cautela do que a Câmara dos Deputados. Ele citou um manifesto assinado por mais de 3 mil entidades, incluindo confederações como CNI, CNC e Fiesp, expressando preocupação com os impactos da mudança.
“É o setor produtivo, é o setor que emprega, que está mostrando quanto isso pode ser prejudicial se tivermos essa discussão de afogadilho”, disse.
Para Ortega, ouvir o setor produtivo, os trabalhadores e, especialmente, os consumidores é fundamental para que a discussão seja conduzida de forma equilibrada e racional.
Ele defendeu ainda que a modernização das relações de trabalho poderia trazer para o mercado formal mais de 20 milhões de pessoas que hoje atuam na informalidade. “Não existe empresa forte com trabalhador fraco. Não existe também trabalhador forte com empresa fraca. Nós estamos do mesmo lado”, concluiu.




















































































































































































































































































































































































































































